terça-feira, 23 de agosto de 2011


CARTA ABERTA AOS PROFESSORES DA REDE ESTADUAL DE ENSINO

http://www.iguassureporter.com/2011/01/pensamento-valido-para-foz-do-iguacu/
Estamos em GREVE mais uma vez lutando por melhores salários e melhores condições de trabalho. Desde 1985 que participo de movimento grevista de professores. Naquela época, no final da Ditadura Militar, em Fortaleza, eu ainda não era professor e jurava não ser.
Eu era aluno do Liceu do Ceará, a maior escola de ensino médio do estado do Ceará, que era na época, a melhor escola de ensino médio público do estado. Tínhamos os melhores professores, quase todos eram também professores da antiga Escola Técnica Federal do Ceará, hoje com outro nome. Alguns ensinavam na UFC, UECE e até mesmo na UNIFOR. Passávamos entre os primeiros em todas as provas de vestibular, nos concursos militares e para a própria Escola Técnica Federal do Ceará. Para entrar no Liceu do Ceará tinha prova de seleção, todos queriam estudar lá, mas poucos conseguiam.
Para os professores fazerem GREVE durante o governo militar, não era fácil. Pois muitas vezes, até nós, alunos, tínhamos que fugir da Policia Militar para não apanhar. Apanhar mesmo, eles batiam com vontade, além dos cassetetes de madeira, tinha os escudos e às vezes até gás lacrimogêneo. Perdi as contas de quantas vezes tive que correr, para não ser preso pela policia, e não importava se era menor ou maior, não fazia diferença para os policiais. Desde então tenho participado dos movimentos organizados em prol de uma educação melhor para a classe pobre, classe a qual eu pertenço, e o que tenho visto dos nossos governantes é uma clara desvalorização da classe dos professores.
Nunca um professor ganhou tão mal em comparação ao valor do salário mínimo, nunca um professor teve tão pouco respeito da sociedade e daqueles que exercem os poderes no serviço público. Essa luta não é de hoje, mas naquela época tínhamos EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, e assim mesmo, com letras maiúsculas. Apesar de ganharem pouco, os professores nos ensinavam com gosto e com amor, pois mesmo ganhando pouco, eles tinham o respeito dos alunos e da sociedade. Para muitos, ser professor era galgar um patamar rumo à classe média, saindo assim da pobreza. Hoje o que vemos é que ser professor é uma profissão de risco de morte, pois se o professor não trabalhar três expedientes, ele vai passar fome. Sem contar que em muitos casos, ele tem que trabalhar em três escolas diferentes durante o dia, para poder ganhar pelo menos o que seja suficiente para sobreviver. Temos ainda os casos das escolas onde os professores são ameaçados pelos alunos, alguns entram de licença para não correrem o risco de morrer em sala de aula. Muitos professores tiram licenças por motivo de “stresse”, ocorrido pelo grande desgaste sofrido no trato diário com a falta de condições financeiras de se sustentar e sustentar a sua família, ou até mesmo pela falta de condições psicológicas para suportar a pressão imposta pelos gestores das escolas.
Por isso senhor professor, que mesmo depois de saber o que pensa de nós o nosso governador, você ainda insiste em ir a escola lecionar, o que posso dizer, é que sinto pena de você. Sinto pena, pela incapacidade de formar opinião junto aos seus alunos, pela sua incapacidade em perceber que está sendo usado pelo sistema, pela sua incapacidade de ter uma consciência crítica de perceber que você é o responsável pelas misérias que temos pelo nosso Brasil e em nosso estado. Participar da greve é uma decisão pessoal e política, então senhor professor seja uma EDUCADOR, seja POLÍTICO, ou seja, a pessoa que Bertolt Brecht, em seu poema O Analfabeto Político, nos apresenta.
“O pior analfabeto / é o analfabeto político. / Ele não ouve, não fala, nem participa / dos acontecimentos políticos. / Ele não sabe que o custo de vida, / o preço do feijão, do peixe, da farinha, / do aluguel, do sapato e do remédio / dependem das decisões políticas. / O analfabeto político é tão burro / que se orgulha e estufa o peito / dizendo que odeia a política. / Não sabe o imbecil que, / da sua ignorância política, / nasce a prostituta, /o menor abandonado, / e o pior de todos os bandidos, / que é o político vigarista, / pilantra, corrupto e lacaio das empresas / nacionais e multinacionais.”
OS PROFESSORES NA RUA, A LUTA CONTINUA!
Professor Maurício Lima

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